“A Fotografia deve contar uma história” é o que basicamente se diz sobre esta arte. Para mim, cada elemento presente na foto tem o potencial de contar sua história; cada cor evoca sensações que estão muito ligadas com o íntimo de cada espectador, cada forma, cada jogo de luz e sombra nos remete ao passado ou ao futuro, nos causa náuseas, nos dá medo ou ternura, nos excita ou nos repugna... Por isso a fotografia é mágica, tem o poder de tocar cada ser trazendo à tona situações ou sentimentos muitas vezes esquecidos ou ignorados.
Nas minhas imagens, sempre que ligo minha câmera para fotografar algo, o aspecto abstrato acaba se sobressaindo com relação ao óbvio que enxergamos sem muitas vezes nos importar. Contrastes é o que acabo buscando várias vezes, antônimos que se exprimam em uma mesma imagem, que por meio de suas relações antagônicas toquem o ser humano em seu íntimo, valendo-se das infinitas antíteses e conflitos que habitam cada um de nós.
Os jogos coloridos das formas concretistas, as escolas das pinturas e da escultura, tento empregar meu repertório em meus trabalhos, extravasar todo o trabalho das minhas pesquisas, misturados com minhas emoções e minha visão de mundo. Minha arte busca exprimir minha visão de mundo que nunca está formada... está sempre incompleta, se construindo a cada dia, o que faz que eu sempre veja meu mundo de formas diferentes.
Acho que tanto o trabalho das Ruínas quanto o do Desejo Líquido transmitem essa minha inquietação. Por mais bucólicas que as ruínas sejam, eu vejo a agonia do passado querendo chamar sua atenção no mundo caótico do nosso presente. No Desejo Líquido, o erotismo que mostra seu lado bizarro, as formas distorcidas do corpo nu da mulher exprimem algo que não sensualidade ou sexo; as formas abstratas se sobressaem e produzem sensações diversas no espectador.
Através da minha arte tento mostrar meu mundo, entender um pouco mais meu íntimo e dialogar com a câmera me mostra aspectos que o diálogo do dia a dia não revela.

